é proibido proibir

Livro do jornalista Zuenir Ventura.

Livro do jornalista Zuenir Ventura.

O ano em questão, marcado pela rebeldia dos estudantes na Europa, no famoso Maio de 1968, teve reflexo na juventude do Rio e São Paulo e se espalhou em outras capitais brasileiras. As crescentes manifestações estudantis e o apoio dos populares desencadearam vários processos para tentar legitimar o uso da força por parte dos militares. Quatro anos depois do golpe, que fora apoiado pelos meios de comunicação e parte do movimento opinião públicos, inúmeras falhas administrativas desgastavam a imagem perante os populares. Descontentes com os rumos que o golpe culminava, a revolta popular, arquitetado pelos movimentos estudantis, tornavam as ruas. Ao mesmo tempo, a “Revolução Armada” ganhava corpo e força entre os jovens rebeldes.

Considerado um dos maiores clássicos da literatura contemporânea brasileira, “1968 O ano que não acabou” é um livro escrito pelo jornalista Zuenir Ventura. Mostra, por meio de vários relatos e testemunhos de pessoas que viveram intensamente o ano porque o ano de 1968 é tão polêmico e curioso e porque, ainda hoje, surte efeitos no Brasil e no mundo.
Infiltrado no Brasil como se estivesse vivido o ano de todos os ângulos, o autor nos passa um grande conhecimento sobre o que envolvia arte, música, política, indignação e a satisfação, da sociedade que vivia e fazia o Brasil.
O livro começa dando ênfase, no cenário principal, á reveillon na casa de Helô. A festa é lembrada do no início, meio e no fim da história. Zuenir conta que para entrar na festa, era preciso ter o convite e levar alguma bebida ou algum valor que cobrisse as despesa que os organizadores tiveram. Mas a festa denunciava um clima de fim dos tempos, a compulsão de sorver cada segundo de vida, a certeza de que 1968 não seria um ano como os outros. Aquilo não podia acabar bem, como não acabou. Aliás, 68 nem sequer terminou, como recorda o título perfeito do livro de Zuenir Ventura. A festa nos mostra a verdadeira realidade que os jovens e adultos de 68 tinham para extrasar, avia muita bebida e era permitido tudo.
O autor deixa bem claro na pagina 27, o quanto a bebida fazia a cabeça das pessoas. Em um trecho do livro ele relata: “A bebida teve sobre ela um efeito libertador que atuou mais sobre a linguagem do que sobre a libido. Boa parte da festa ela passou deitada no chão, gritando sem sucesso: “Eu quero trepar! Eu quero trepar”.
Outro assunto que entra em destaque é, o chamado progresso feminino. As mulheres estavam criando uma revolta contra o chamado machismo ou o “casamento servil”. Muitas deixavam seus filhos e seus maridos para arriscar uma aventura da experimentação existencial. Na pagina 36, o autor fala da tão famosa revolução sexual: A revolução tinha trazido a algumas soluções, mas criado também muitos problemas” .
Para Zuenir, esses detalhes em seu livro simbolizam a quebra de tabus. “Curiosamente, as transformações e costume que começavam a se operar então, principalmente no campo sexual, nem sempre foram absorvidas pelas organizações políticas com um fenômeno paralelo, convergente, ou aliado”.
A música é um espetáculo á parte no livro. Apesar de enfatizar uma disputa acirrada entre os estilos musicais da época, naquele momento da cultura brasileira surgiam alguns dos artistas que formaram o movimento musical mais influente e original do país após a Bossa Nova. Os riffs de guitarra elétrica, aliados à psicodélica, à mistura de ritmos populares e à experimentação presentes nas canções “Alegria, Alegria”, cantada por Caetano Veloso e tocada pela banda argentina Beat Boys, e “Domingo No Parque”, interpretada por Gilberto Gil e Os Mutantes no evento, transformaram a forma de se fazer música no Brasil por gerações e movimentaram a cena cultural brasileira. A partir daquele momento até o fim de 1968, seria instalado o cenário revolucionário que mais tarde foi batizado de Tropicália.
No livro, os fatos são mostrados de maneira apaixonante e poética. Zuenri fala sobre o movimento chamado força jovem. Ele enfatiza a juventude nas ruas, gritando palavras de ordem como “faça amor, não faça a guerra”. Hippies dançavam, moças e rapazes caiam na clandestinidade da luta armada. Guitarras, rock n’roll misturado com xaxado. Cabeludos, roupas coloridas. Homens mais sensíveis. Mulheres com mais fibra. Esse é um pouco do espírito de uma época, das marcas que a geração de 1968. Havia revoluções culturais e estéticas. Era o tempo do Cinema Novo, do baiano Glauber Rocha.
No livro, não ficam de fora curiosidades, repressão, ditadura, revolução dos costumes, drogas, figuras importantes e atuantes n aquele período descrito.
Ele não deixa de fora o assassinato do Edson Luiz, a atuação do famoso Cesinha, as prisões de Caetano e Gil e dos políticos envolvidos.

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